Ó mosca, tão vil e mal compreendida,
Pequena te chamam, te dizem bandida.
De asas douradas, que o sol faz brilhar,
És obra de Deus, que vem nos salvar.
Nas guerras antigas, dos povos memória,
Carregas nos voos o peso da história.
Das carnes dos bravos tiraste teu ser,
E hoje, nas feridas, devolves viver.
Larvas benditas, de dons curadores,
Na podridão brilham, são restauradores.
Do corpo que cai, fazes o renascer,
Devolves ao ciclo o que é de morrer.
És serva fiel da farmácia do céu,
Que cura sem custo, sem glória ou troféu.
Entrega-te inteira, sem nada exigir,
A vida renova, sem jamais desistir.
Ó mosca divina, desde a criação,
Cumpre teu papel com nobre missão.
Mudando os ciclos com graça e vigor,
Serva do Eterno, mensageira do amor.